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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Filatelês (2) - DESCASCAR

Metáfora usada na gíria para significar observação, análise, classificação ou estudo de um dado objecto filatélico e/ou postal.

Assim, podemos ter, por exemplo, as seguintes produções linguísticas:

(1) descascar um lote

(2) descascar uma carta.

No primeiro caso (exemplo (1)), podemos pegar num lote de selos como o que figura na imagem (Fig. 1) e observar e classificar os exemplares. No fundo, mais não fazemos do que "remover a camada superficial ou exterior", para nos fixarmos no que importa. Há exemplares raros? Há variedades? Que marcofilia podemos encontrar?


Fig. 1 - Lote de selos por classificar

"Descascar um lote" não significa, obviamente, observar e classificar apenas selos. O lote pode ser constituído por selos (os famosos "centos" ou outros), cartas, postais, etc.

Quanto ao exemplo em (2), o que está em causa é a interpretação das marcas que figuram numa dada carta - os trânsitos (percurso), formas de encaminhamento, etc. - e a decomposição dos portes.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Filatelês (1) - BORLA

O item lexical borla faz parte do léxico do filatelista, em particular daquele que está familiarizado com compras em leilão. Quando alguém diz que um selo ou uma peça filatélica "foi uma borla", pretende significar que o objecto adquirido foi "muito barato". O enunciado é produzido assim mesmo, prescindindo o enunciador da preposição a ou de.

Assim, em substituição da sequência linguística:

(1) o selo foi de borla

teríamos:

(2) o selo foi uma borla.

O vocábulo é utilizado, obviamente, com satisfação: a carteira agradece e a colecção valoriza-se pela adição de uma peça incomum e valiosa. Inconscientes da etimologia atribuída em Houaiss (2002: 635), escapamos impunes com uma burla.

Esta é a visão materialista e cínica da coisa.

Adoptando uma outra perspectiva, poderíamos argumentar que a borla mais não é do que a justa recompensa pelo estudo de uns e, simultaneamente, a não menos justa punição pela ignorância de outros. A borla permite desocultar e (re)dignificar um objecto raro, incomum, ímpar.

Absolvido e de consciência tranquila, posso agora mostrar a minha mais recente borla:




P.S . - A peça merece uma análise detalhada, que terá a seu tempo.

Péssima ideia viajar como encomenda...

Talvez não tivesse sido necessário escutar um conto deliciosamente perverso de Lou Reed narrado por John Cale com voz de locutor de rádio p...